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A ÚNICA SOLUÇÃO

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       Era mais um domingo de sol bonito e, como de costume, fui com minha mãe fazer a feira da semana. O caminho de casa até lá é curto, uns dez minutos, dados em passos miúdos. Cumprimos sempre o mesmo ritual: carne de boi, verduras, coentro, batata, cebola, tomate, alface e banana. E, com o dinheiro que sobra, porque fazemos questão de que sobre , compramos pastéis de queijo e de carne e um copo de suco de maracujá. Comemos um ali mesmo, em pé, e levamos dois para casa: um para meu irmão, outro para meu pai.      Entre o “bater perna” e os “chorinhos” de minha mãe atrás dos melhores preços, encerramos nosso ofício dominical em cerca de uma hora. Naquele dia, porém, quando já nos encaminhávamos para o pasteleiro, “mãinha” encontrou uma amiga que não via há muito tempo, recém-chegada de São Paulo, segundo disse. Ao notar minha mãe, a mulher veio ao nosso encontro. Abraçaram-se com aquele entusiasmo próprio de quem retoma um laço antigo. — Essa é tua m...

VISÕES

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  O sol daquele domingo invadiu a janela e atingiu o esquelético corpo de Adamastor, que recebeu os raios solares sem camisa e sem coberta, abandonados no primeiro sinal de calor na madrugada. Protegia o rascunho de homem apenas um short colorido com estampa de desenho animado apagada pelo desgaste do tempo, mas que pela predominância de vermelho e azul parecia ser do Superman.  Adamastor entregou-se ao calor das primeiras horas do dia como se aquela sensação fosse a melhor do mundo. Por isso, um sorriso no canto da boca formou-se tão logo ele ficou de barriga para baixo na cama, como se pedisse que o sol fizesse uma massagem em suas costas. Em poucos instantes, dormiu de novo.  Entretanto, o novo período de sono não durou mais do que uma hora, pois o que antes era relaxante transformou-se em castigo. Uma sensação de pele queimando passou a provocar um certo desconforto. O calor do sol havia ficado certamente mais forte.  Sentindo-se desconfortável, ele esticou braço...

INSÔNIA

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                                                                                                                                   Quando a rotina me consome e eu preciso afrouxar o nó da gravata para não ultrapassar os limites entre a lucidez e a loucura, o bom mesmo é chegar em casa, tomar um banho quente, comer uma guloseima deliciosa qualquer, dessas que fazem mal à saúde, e descansar. Porém, há momentos em que minha cabeça está cheia demais. Cheia de problemas, reflexões e ideias, que aparecem como vultos após o apagar da última luz da casa, protagonizando um balé agonizante que ocupa minha mente e faz com que meu corpo, apesar de cansado, não consiga relaxa...